Poço Redondo: entre rendas de bilros, memórias e resistência
Por Manoel Belarmino Em Poço Redondo, em meio ao sertão sergipano, onde a história do cangaço ainda ecoa na memória coletiva e nas paisagens banhadas pelo Rio São Francisco, uma tradição secular continua resistindo ao tempo pelas mãos habilidosas de mulheres que transformam linhas, bilros e paciência em arte. A renda de bilro, patrimônio cultural transmitido de geração em geração, permanece viva graças ao esforço de artesãs como Maria Dominga dos Santos Neto. Maria Dominga guarda um tesouro afetivo: um pequeno entremeio de renda confeccionado por sua avó materna há mais de quatro décadas. A peça amarelada pelo tempo representa muito mais do que um objeto artesanal. É um elo entre passado e presente, entre as antigas rendeiras do sertão e as novas gerações que ainda encontram na atividade uma fonte de renda, identidade e pertencimento. Natural de Coruripe, em Alagoas, Dominga mudou-se para Poço Redondo e, em 2006, teve a oportunidade de participar de um curso de renda de bilro. O apre...