O Beato da Bandeira e a Fé dos Sertões “Mais de Cá”
Manoel Belarmino* Por muitos anos, quando se falava em beatos nordestinos, dois nomes pareciam ocupar sozinhos o imaginário popular do sertão: Antônio Conselheiro e Pedro Batista . Mas quem conhece os caminhos poeirentos da Bahia profunda, das caatingas entre Sergipe, Alagoas e o norte baiano, sabe que a história da religiosidade popular sertaneja é muito mais vasta, misteriosa e povoada de personagens esquecidos. Entre esses nomes guardados pela memória oral do povo está o do Beato Zé Vigário da Bandeira. No tempo em que Pedro Batista reunia romeiros, aconselhava retirantes e curava males do corpo e da alma nas bandas de Santa Brígida , outro homem simples, rezador e conselheiro, também caminhava entre os pobres da região. Era Zé Vigário, figura envolta em silêncio, devoção e mistério. Pouco se sabe sobre sua origem. Não há documentos que esclareçam de onde veio ou se nasceu mesmo em Santa Brígida. O sertão, muitas vezes, guarda seus personagens mais importantes fora dos liv...