GEOFORMAS REVELAM QUE POÇO REDONDO TEM POTENCIAL NO GEOTURISMO CIENTÍFICO
Manoel Belarmino*
Formações rochosas, cavidades naturais e paisagens da caatinga colocam o município como possível rota de turismo geológico no alto sertão sergipano.
No alto sertão de Sergipe, o município de Poço Redondo abriga um conjunto de formações geológicas que chamam atenção pela diversidade e beleza natural. No povoado Camará-Quiribas, próximo à Capelinha do Senhor dos Pobres, o visitante encontra rochas moldadas por processos naturais ao longo de milhares de anos, conhecidas como geoformas — esculturas esculpidas pela ação do vento, da água e da variação térmica típica do clima semiárido.
Entre os destaques estão a Pedra do Cágado e uma cavidade bem marcada em um afloramento rochoso, elementos que evidenciam processos de intemperismo físico e químico. Essas estruturas naturais funcionam como registros da evolução da paisagem sertaneja e apresentam potencial científico, educativo e turístico. A poucos quilômetros dali, no leito do Riacho Jacaré, nas proximidades do Poço de Cima, encontra-se a Pedra da Sela, outra geoforma emblemática esculpida pela erosão ao longo do tempo geológico.
A área do Camará-Quiribas reúne ainda um pequeno oásis natural formado pelas águas excedentes do sistema Jacaré-Curituba, que alimentam um lago permanente. A presença de vegetação típica da caatinga, aves e blocos rochosos com pequenas cavidades de interesse espeleológico contribui para um cenário singular. O conjunto inclui ainda estruturas megalíticas e superfícies rochosas com feições geomorfológicas que reforçam o valor paisagístico do local.
Do ponto
de vista das geociências, essas formações representam um patrimônio geológico
que pode ser interpretado e valorizado por meio do geoturismo — modalidade que
promove a visitação responsável a áreas com relevância geológica, aliando
conservação ambiental, educação científica e desenvolvimento local. Em Poço
Redondo, esse potencial se estende para outros pontos do território, como o
Morro do Mestre e o Morro das Letras, com registros de pinturas rupestres; a
Pedrata, possivelmente utilizada como observatório pré-histórico; o sítio com
cristais de quartzo; além das cercas de pedra históricas nas regiões de
Curralinho e Bonsucesso e o chamado Cemitério de Pedra do Jacaré.
Especialistas destacam que a organização de roteiros interpretativos, sinalização científica e ações de preservação poderiam transformar essas áreas em atrativos estruturados. Além de fortalecer a identidade territorial, o geoturismo contribui para a educação ambiental, valorização do patrimônio natural e geração de renda para comunidades locais.
A diversidade de geoformas, registros arqueológicos e paisagens da caatinga coloca Poço Redondo como um território com vocação para o turismo científico e cultural. Com planejamento e proteção adequada, essas formações naturais podem deixar de ser apenas paisagens contemplativas e se tornar um importante laboratório a céu aberto sobre a história geológica do sertão sergipano.



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