AS FLORES DAS CRAIBEIRAS EM POÇO REDONDO


Manoel Belarmino*

A primavera chegou trazendo seu ramalhete de luz. Mesmo com as poucas chuvas do inverno deste ano — consequência dos efeitos do El Niño que castiga o sertão — a caatinga, teimosa e valente como o povo que nela vive, voltou a florescer. E entre os sinais mais bonitos dessa renovação estão as craibeiras (Tabebuia aurea), também conhecidas como caraibeiras ou ipês-amarelos do sertão.
 
De repente, os galhos que pareciam secos se cobrem de ouro. As flores amarelas das craibeiras surgem como clarões no meio da paisagem esbranquiçada, enfeitando Poço Redondo e todo o Alto Sertão. É a primavera chegando à caatinga. É a natureza anunciando que a vida continua. É primavera, apesar do machado que derruba árvores. É primavera, apesar das secas e das dificuldades.
 
Os velhos caatingueiros, homens e mulheres que aprenderam a ler os sinais da terra antes mesmo de conhecer as letras dos livros, contam que a casca da craibeira guarda remédios da sabedoria popular. Dizem que serve para males do estômago, para combater vermes, aliviar febres, inflamações e até auxiliar no controle do diabetes. São conhecimentos passados de geração em geração, preservados na memória de quem vive em comunhão com a natureza sertaneja.
 
A caatinga é uma mata que deu certo no semiárido. É um milagre da adaptação. Cada planta, cada bicho e cada nascente temporária aprenderam a conviver com a escassez da água e com o sol abrasador. Quando as chuvas de inverno se despedem e a quentura toma conta da terra, a vegetação perde as folhas, os galhos ficam nus e a paisagem ganha tons acinzentados. Para muitos, parece que tudo morreu.
 
Mas a caatinga conhece o segredo da resistência.
 
É justamente nesse tempo de secura que as craibeiras florescem. Quando o chão racha e o horizonte parece cansado, elas acendem suas flores amarelas como lamparinas espalhadas pelos caminhos do sertão. São sinais de esperança. São promessas de novos tempos. São como pequenos sóis brotando dos galhos, lembrando ao sertanejo que a vida nunca abandona completamente esta terra.
 
Em Poço Redondo, as flores das craibeiras não são apenas flores. São versos escritos pela natureza. São bandeiras amarelas hasteadas pela caatinga para anunciar que, mesmo diante das adversidades, ainda existe beleza, força e esperança florescendo no coração do sertão.

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